para escutar!

AMARELO MANGA (2002) | caranguejos #02

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Confira nossa análise sobre o filme Amarelo Manga, dirigido por Cláudio Assis, sendo ele mais um representante do fértil cinema pernambucano.

“O ser humano é estômago e sexo.”

AMARELO MANGA (2002) | o movimento

Recife foi alvo de uma revolução. Não tão distante quanto a Praieira, mas sim muito mais próxima à nossa data contemporânea. A revolução chamou-se de manguebeat.

Uma revolução cultural que cravou uma parabólica na lama e fez o mundo inteiro voltar os seus olhos mais uma vez para o Recife foi iniciada musicalmente, com bandas como: Chico Science e a Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, e logo, passou a ser reconhecido em outras artes, como: teatro, dança, pinturas e cinema.

A claquete inicial do manguebeat no cinema ocorreu em 1997, com Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, entretanto apresentou um bizarro hiato até o lançamento de Amarelo Manga, que pode ser considerado como o segundo filme do movimento Mangue, além de marcar a estreia do diretor Cláudio Assis.

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AMARELO MANGA | sobre o filme

Amarelo Manga possui a forte energia do mangue e consegue expeli-la com agressividade, secura e perfeição em cada um dos seus frames, tornando-o difícil de assistir em alguns momentos. Mas, assista. Vale a pena.

Com uma narrativa aborrecida, hipnótica, real, mas com pequenas fincadas de ilusões, o filme nos apresenta um simples dia no Recife. Não o Recife turístico e o qual estamos acostumados a ver, mas sim, o verdadeiro em seu cotidiano. Ele é sujo, pobre, porém, colorido. Cores que lutam para sobreviver ali, assim como as personagens do filme.

O povo brasileiro. Personagens inspirados na realidade social do país e inseridos com temas como homossexualismo, religião, adultério e até necrofilia. Personagens simples, porém recheadas de histórias, assim vistas nos pequenos detalhes de interpretações muito boas. E que elenco legal tem esse filme!  Matheus Nachtergaele, Leona Cavalli, Diras Paes, Chico Diaz e Jonas Bloch.

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Um filme de personagens ricas e com uma ainda mais. A cidade do Recife. O filme consegue fotografar a cidade com uma magia amarela única, servindo muito bem de registro oficial da época. Esse até pode ser um significado do amarelo, que no filme retrata o passado da cidade, mas que ganha uma injeção exterior e se transforma em algo diferente e igual, um amarelo manga.

Assim como o manguebeat, que aqui marca presença sonora com a incrível trilha sonora criada por Lúcio Maia e Jorge Du Peixe, da Nação Zumbi, a película possui uma sonoridade psicodélica urbana entrelaçada por símbolos regionais e nacionais. A trilha ainda conta com a presença de artistas como: Fred Zero Quatro (que faz uma ponta no filme), Otto e BNegão.

AMARELO MANGA | análise geral

No geral, Amarelo Manga é um filme dinâmico e que talvez não seja aceito por todos, entretanto, fica a minha recomendação para assistir algo diferente, instigante e feito por pessoas que amam cinema e ainda mais a sua cidade. 5 estrelas!

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Amarelo Manga (2002) | trailer

Amarelo Manga (2002) | trilha sonora oficial

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