para escutar!

COPA DAS CONFEDERAÇÕES 1997

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A Copa das Confederações 1997 é o primeiro torneio com campeões continentais oficial da FIFA. Foi realizado na Arábia Saudita entre 8 seleções.

A PRIMEIRA COPA DAS CONFEDERAÇÕES OFICIAL

Após 1997, a FIFA finalmente assumiu a chancela e realizou a Copa das Confederações 1997. Determinada anteriormente, a realização a cada dois anos se manteria, assim como a sede ser escolhida através de um rodízio entre as seis confederações. Outro ponto positivo, é que o torneio faria parte do calendário internacional, com datas definidas e que possibilitariam o envio de força máxima por parte de seus participantes.

Obviamente, o dinheiro era o maior atrativo de um campeonato oficial entre os campeões continentais, mas a realização de uma mini-copa serviria para aproximar a entidade máxima do futebol de países em que o esporte não era tão popular.

Em forma de reconhecimento pela realização de duas edições do torneio, a FIFA decidiu manter a disputa na Arábia Saudita e com todos os jogos realizados em um intervalo de dois dias, no Estádio Internacional Rei Fahd, palco de todos os jogos até então realizados no torneio.

Pouco tempo para uma competição com aval da FIFA, e o que se viu, foram algumas seleções chegarem à Riad pouco tempo antes da partida inicial, tendo assim, um prazo curto para se prepararem.

SELEÇÕES PARTICIPANTES

Os oito participantes foram divididos em dois grupos com quatro integrantes em cada um, sendo que os dois melhores posicionados no ranking FIFA, no caso, Brasil, 1º colocado, e República Tcheca, 4ª colocada, ficariam separados no sorteio. De cada grupo avançariam os dois primeiros colocados, que se cruzariam em uma segunda fase composta por semifinal, disputa do terceiro colocado e final.

Participaram da Copa das Confederações 1997: Arábia Saudita, como país-sede e campeã da Copa da Ásia 1996, Brasil, como campeão mundial de 1994, Uruguai, campeão da Copa América 1995, México, campeão da Copa Ouro 1996, África do Sul, campeã da Copa das Nações Africanas 1996, Austrália, campeã da Copa das Nações da OFC (Oceania), Emirados Árabes, vice-campeões da Copa da Ásia, e República Tcheca, vice-campeã da Eurocopa 1996. A campeã Alemanha, recusou o convite.

ARÁBIA SAUDITA 1997

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Após a dura queda sofrida em casa, em 1995, os bons ares voltaram a soprar na Arábia Saudita, após a conquista da Copa da Ásia 1996, realizada nos Emirados Árabes Unidos e a vaga para a segunda Copa do Mundo seguida, conquistada em novembro de 1997.

É fato que o time passou inúmeras dificuldades durante as duas competições, entretanto o técnico Otto Pfister havia recuperado o moral da seleção, que agora já havia nomes reconhecidos internacionalmente, entretanto, sem nenhum jogando fora do país.

Al-Deayea agora era um goleiro seguro e muito mais experiente, ideal companheiro para o zagueiro Al-Khilaiwi, que apresentava força aérea e saídas rápidas. Velocidade comparada ao ataque, ainda formado, por Al-Jaber e pelo meia Owairan. Nomes ideais para definirem de vez a evolução de sua seleção com uma boa campanha internacional.

BRASIL 1997

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Com toda a superioridade, pode-se dizer que o Brasil era a melhor seleção de futebol do mundo em 1997. Com a vaga de atual campeão do mundo, a seleção canarinho havia sido derrotada pelo Uruguai na final da Copa América de 1995, entretanto, vinha entrosada com o título da edição de 1997, na Bolívia, que já lhe assegurava a participação na 2ª edição da Copa das Confederações, em 1999.

Com o esquema 4-4-2 armado pelo multi campeão, Mário Jorge Zagallo, o time canarinho era recheado de craques que disputavam os maiores torneios do mundo. Cafu, Aldair, Roberto Carlos e Dunga compunham uma defesa sólida e com boa saída de bola, Leonardo era o maestro do meio que ganhava velocidade e técnica com o revezamento entre Juninho e Denílson. Já o ataque era formada, por talvez a maior dupla da posição de todos os tempos, Romário e Ronaldo.

Vale lembrar que o banco ainda tinha nomes como Bebeto, Zé Maria e Rivaldo. Um elenco incrível e que entrava com tudo para conquistar o primeiro título da Copa das Confederações.

MÉXICO 1997

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O bicampeonato da Copa Ouro, em 1996, em cima da seleção sub-23 do convidado Brasil, e a ótima terceira colocação, como país convidado, na Copa América 1997, fizeram do México uma seleção a ser observada e que se esperava muito. Com certeza, era uma das melhores gerações desde os tempos de Hugo Sánchez.

Manuel Lapuente tinha em mãos um plantel habilidoso e muito rápido ofensivamente, o que, automaticamente, obrigou-o a treinar uma equipe que aproveitaria ao máximo essas habilidades individuais.

Davino era o jovem cérebro da combatente defesa mexicana,  Luna e Blanco eram os nomes definidos para a criação de jogadas e para alimentar a fome de gols do atacante Luis Hernández, jogador do Boca Juniors, na época. Ao craque Luis Garcia, restou apenas alguns minutos de atuação nos jogos.

AUSTRÁLIA 1997

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A Austrália era praticamente uma desconhecida no cenário mundial do futebol, contendo apenas uma participação na Copa do Mundo de 1974, quando sofreu duas derrotas, mas segurou um empate contra o Chile, no último jogo da fase de grupos.

Treinada pelo inglês Terry Vebables, os autralianos vinham embalados pelo título continental, que voltara à acontecer pela primeira vez desde 1980, quando a mesma Austrália se tornou campeã, e tinham uma boa equipe organizada e com muita disposição, principalmente defensivamente. Não à toa, quando enfretava adversários com maior qualidade técnica, o time armava uma retranca e apostava a vida em contrataques.

O destaque do elenco estava debaixo das traves. Mark Bosnich era um excepcional goleiro, que atuava pelo Aston Villa, e que transmitia a segurança necessária para um plantel com vários promissores jogadores, como o meio-campo Lazaridis, O centroavante Viduka e o jovem Harry Kewell.

URUGUAI 1997

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A celeste olímpica, assim conhecida por ter vencido dois torneios de futebol olímpico antes da existência da Copa do Mundo, era uma grande potência até a década de 70, quando passou a realizar algumas periódicas boas participações nos torneios mundiais.

Promovido após o sucesso nas seleções de base, o técnico uruguaio Víctor Púa realizou uma verdadeira renovação na veterana equipe campeã da América, em 1995, promovendo diversos nomes promissores da seleção sub-17, como Marcelo Zalayeta e o habilidosíssimo meia, Nicolás Oliveira.

A experiência e controle da equipe ficava à conta do capitão, Paolo Montero, zagueiro da poderosa Juventus da Itália, ao mesmo tempo em que Darío Silva e Álvaro Recoba estariam prontos para fazerem os gols necessários para fazer desta nova geração celeste campeã.

REPÚBLICA TCHECA 1997

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Força futebolística no passado, quando conquistou uma Eurocopa (1976) e dois vice-campeonatos mundiais (1934 e 1962) atuando como Tchecoslováquia, a República Tcheca estreou como nação independente vencendo fora de casa a Turquia, por 4×1, no dia 23 de fevereiro de 1994. À partir dali, foi o surgimento de uma ótima seleção técnica que conquistou a vaga para a Eurocopa, em primeiro lugar do seu grupo, onde realizou uma surpreendente campanha, caindo apenas na final, para a cabeça de ouro de Bierhoff, da Alemanha.

Praticantes de um futebol técnico e ofensivo, os tchecos eram comandados pelo treinador eslováquio, Dusan Uhrin, que gostava de armar a sua equipe com um esquema com três jogadores ofensivos, criando um meio-ataque que flutuava com velocidade e movimentação quando tinha a posse de bola.

Seus principais jogadores estavam no auge de suas carreiras e jogavam por grandes clubes da Europa. Pavel Nedved, Vladimír Šmicer e, o capitão, Jiri Nemec eram alguns nomes de uma ótima seleção que estaria pronta para repetir o mesmo desfecho da edição anterior do torneio, quando a Dinamarca sagrou-se campeã.

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS 1997

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Com apenas uma pífia participação em mundiais de futebol (último colocado em 1990) e algumas boas campanhas em torneios continentais, era evidente que a seleção dos Emirados Árabes Unidos (EAU) não possuía experiência internacional e não passava de uma zebra na Copa das Confederações 1997.

O, recém contratado, técnico  Milan Máčala sabia que a fórmula ofensiva havia custado a vaga para a Copa do Mundo, então passou a utilizar uma equipe focada em defender, estilo semelhante à que ficou em segundo lugar da Copa da Ásia, e conquistou a vaga para o seu primeiro torneio intercontinental.

Na mescla de jogadores locais, alguns nomes eram respeitados veteranos em suas terras e tinham de tudo para apresentar toda as suas habilidades ao mundo, entre eles o seguro líder goleiro, Mushin Musabah, o habilidoso meia Saad Bakheet e o atacante, Abdulaziz Mohamed, e assim, realizar uma campanha honrosa, e porque não, ficando à frente da rival, Arábia Saudita.

ÁFRICA DO SUL 1997

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Banida de competições oficiais, principalmente pela prática do regime apartheid, pela CAF, em 1957, e, posteriormente, pela FIFA, a África do Sul só voltou a realizar uma partida oficial no dia 7 de julho de 1992, quando derrotou Camarões pelo placar mínimo. Nos anos seguintes, os bafana bafana fizeram estreias nas eliminatórias e na Copa de Nações Africanas.

O crescimento ocorreu dois anos depois, quando o técnico Clive Barker montou o elenco que seria campeão da Copa das Nações Africanas 1996, quando também foi sede, e que se classificaria, com folga em seu grupo final, para a participação em um mundial. Nele, as principais armas eram a força do conjunto e a sabedoria em tentar jogar o estilo de jogo que eles sabiam.

Com poucos jogadores atuando em solo europeu, todos os holofotes africanos apontavam para o experiente Lucas Radebe, zagueirão que defendeu bons anos de glória a camisa do Leeds United.

TABELA DE RESULTADOS COPA DAS CONFEDERAÇÕES 1997

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A FINAL: brasil 6 x 0 austrália

21 de dezembro de 1997

Diante de um público de 65.000 espectadores, a Austrália sonhava em repetir o surpreendente resultado da 1ª fase. Já o Brasil, não esperava a hora do apito inicial e tirar a imagem deixada no duelo, e se possível, atropelar os seus adversários.

E os campeões mundiais começaram com tudo! Antes dos 15 minutos iniciais, já vencia com gol de Ronaldo. A Austrália até que conseguia se segurar, mas seus planos foram todos abaixo com a expulsão do atacante Viduka. Logo em seguida, seus zagueiros cochilaram e Ronaldo surgiu com velocidade para, praticamente, garantir a vitória brasileira. Romário ainda conseguiu marcar mais um, recebendo cruzamento sozinho na marca do pênalti para dominar e finalizar.

E no bom futebol de rua, três vira e seis termina. O Brasil manteve o excepcional desempenho da primeira etapa e acabou com o sonho australiano. De diferente, só mesmo os autores dos gols. Agora, Romário faria mais dois e Ronaldo um. Três de cada na partida, que premiou a melhor seleção do mundo. Romário ainda ganharia o prêmio de melhor jogador e de artilheiro da competição. Um grande espetáculo para começar com pé direito a história oficial das Copas das Confederações.

CLASSIFICAÇÃO GERAL DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES 1997

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CAMPEÃO DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES 1997

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01. GO Dida (Cruzeiro/ Brasil)
02. DF Cafu (Roma/ Itália)
03. DF Aldair (Roma/ Itália)
04. DF Júnior Baiano (Flamengo/ Brasil)
05. MC Flávio Conceição (La Coruña/ Espanha)
06. DF Roberto Carlos (Real Madrid/ Espanha)
07. AT Bebeto (Cruzeiro/ Brasil)
08. MC Dunga (Jubilo Iwata/ Japão) – capitão
09. AT Ronaldo (Internazionale/ Itália)
10. MC Leonardo (Milan/ Itália)
11. AT Romário (Valencia/ Espanha)
12. GO Rogério Ceni (São Paulo/ Brasil)
13. DF Zé Maria (Parma/ Itália)
14. DF Gonçalves (Cruzeiro/ Brasil)
15. DF Zé Roberto (Real Madrid/ Espanha)
16. MC César Sampaio (Yokohama Flugels/ Japão)
17. MC Doriva (Atlético Mineiro/ Brasil)
18. AT Denílson (São Paulo/ Brasil)
19. MC Juninho (Atlético Madrid/ Espanha)
20. MC Rivaldo (Barcelona/ Espanha)

Técnico: Mário Zagallo

FONTES
arquivodosmundiais.com.br
fifa.com
reddit.com
Arte Geral: Luis Eduardo C. Bortotti


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