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COPA DAS CONFEDERAÇÕES 2003

copa das confederações 2003

A Copa das Confederações 2003 teve como país-sede, a França, sendo definida em setembro de 2002, em anúncio oficial de Joseph Blatter.

A Copa das Confederações na França

A escolha pela França servia como desculpas pelo esquecimento do país, que sediaria o mundial em 98, para a escolha da sede da primeira edição oficial da Copa das Confederações, em 1997. Na época, a entidade escolheu a Arábia Saudita, como forma de agradecimento pela idealização da competição.

Antes do anúncio oficial, outras delegações se ofereceram para receber o torneio. Portugal, Austrália e Estados Unidos, que receberiam torneios de seus continentes no ano seguinte, queriam utilizar a competição como teste. Egito e África do Sul se ofereceram com candidatura dupla, se espelhando em Coreia do Sul e Japão e defendendo a ideia de levar o futebol aos extremos da África. Uma parceria entre França e Suíça também foi especulada, entretanto, a entidade maior do futebol optou apenas pelos franceses para serem a sede do torneio.

padrão de três cidades por país foi mantido, mas sofreu redução no total em relação à edição anterior, quando seis cidades receberam partidas, Saint-Denis, na grande Paris, Lyon e Saint-Étienne foram escolhidas para serem os palcos desta edição do torneio. A escolha era óbvia, já que elas também sediaram jogos do mundial de 1998.

Seleções Participantes

A França, como sede, passou sua vaga de campeã europeia para a Itália, que optou em não participar da competição. Feito esse semelhante ao de Alemanha, convidada por ser a atual vice campeã mundial, e ao da Espanha, chamada por ser a segunda no ranking mundial. Ficou com a Turquia, terceira colocada na Copa, a tão “indesejada” vaga, fazendo a sua estreia em uma Copa das Confederações cheia de seleções acostumadas a disputar o torneio.

Fora ela, a Colômbia também estreava na competição intercontinental, após ter conquistado a Copa América pela primeira vez, em 2001. Da América veio também o Brasil, atual campeão mundial, e os Estados  Unidos, que retornavam após a vitória na Copa Ouro 2002. Junto a eles, Japão, ainda como campeão da Ásia de 2000, Camarões, vencedor da Copa de Nações, em 2002, e Nova Zelândia, campeã da Copa de Nações da OFC, em 2002.

França 2003

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A França ainda estava atordoada com o que havia acontecido no mundial de 2002, onde, inacreditavelmente, não passou da 1ª fase, quando foi anunciada como sede da Copa das Confederações 2003. E com ela, mais uma chance de mostrar ao mundo todo o potencial daquela fértil geração de jogadores.

A manutenção de experientes jogadores, Barthez, Lizarazu, Gallas, Desailly e Henry, com a mescla de nomes mais do que promissores, Giuly, Cissé, Sagnol, era a perfeita combinação do time treinado por Jacques Santini.

Por mais que a renovação não fosse extrema, o treinador definiu que utilizara o torneio para conhecer suas novas peças. Mesmo assim, elas são fortes e frutos de uma duradoura geração.

Colômbia 2003

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A geração de ouro, composta por Valderrama, Rincón, Asprilla e cia, havia se encerrado em 1998, após mais um fracasso em mundiais. Participar das oitavas na Copa de 90 e boas colocações em Copas América se tornaram os feitos máximos para marcar aqueles jogadores.

Com a renovação do elenco, vieram a técnica, a velocidade e a concentração em tornar em resultado tudo que eles eram capazes de fazer. E fizeram. De forma invicta na Copa América 2001, conquistaram o primeiro título da seleção colombiana, sem tomar um gol nas sete partidas disputadas.

A defesa sólida era essencial para liberar seus criativos jogadores da linha de frente. Assim, Giovanni Hernandez e Patiño aplicavam suas ótimas visões de jogo, enquanto, Aristizábal e Becerra eram capazes de infernizar qualquer defesa do mundo.

Japão 2003

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O sucesso do mundial de 2002 e seu ótimo desempenho, quando venceu pela primeira vez e ainda chegou até as oitavas de final, deixaram a seleção japonesa eufórica e cheia de confiança.

A chegada de Zico trouxe mais mudanças do que o esperado, mas o otimismo ainda prevalecia. A segunda participação na Copa das Confederações ajudava a manter o crédito de melhor seleção asiática, mas os japoneses queriam mais do que isso.

O meio ofensivo é o principal motor da equipe e se todos colaboram, a equipe vai bem. Comandado pelo craque Nakata, Ogasawara se juntava á audaciosa criativade de Nakamura, tornando este setor letal com a presença dos atacantes, Takahara e Okubo.

Nova Zelândia 2003

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A final entre Austrália e Nova Zelândia, anfitriã na Copa de Nações da OFC, em 2002, tinha um gosto de revanche da final de 1998. Entretanto, a história se repetiu e os neozelandeses conquistaram o título e a sua segunda vaga na Copa das Confederações.

E para não repetir a péssima campanha em 1997, e mostrar a evolução do futebol do país, vários amistosos preparativos foram marcados para a competição, que era levada a sério pelo técnico Mick Waitt.

De destaque, na esforçada seleção, o eixo meio defensivo, onde Zoricich e Nelsen formavam uma dupla sólida e que passava confiança para a defesa e ao meio que ligava os contra-ataques.

Camarões 2003

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O bi-campeonato da Copa das Nações Africanas, conquistado entre 2000 e 2002, ficou manchado com o desempenho abaixo do esperado da seleção de Camarões na Copa do Mundo 2002.

E para reverter esta imagem, o técnico Winnie Schaefer montou uma equipe que exigia um comportamento muito técnico, utilizando toda a habilidade que seus jogadores poderiam exigir. Era a melhor geração camaronesa desde o final dos anos 90.

Ponto fraco no passado, a defesa era sólida, contando com o reflexo e agilidade do jovem goleiro Kameni, e pela dupla de zaga composta por Mettomo e pelo seguro Song. E em nível superior, o ataque de gala era comandado por Eto’o, que criaria arranques desconsertantes e perigos para qualquer defesa do campeonato.

Turquia 2003

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O ótimo desempenho na Copa do Mundo 2002 serviu por realizar a estreia da Turquia na Copa das Confederações e por, finalmente, coroar um país apaixonado pelo futebol. Uma participação na Copa de 54 era o único feito turco até a ótima campanha na Euro 2000, quando chegou às quartas de finais.

Pensando no futuro, o técnico Şenol Güneş montou uma equipe ofensiva e que apostava em jovens e rápidos nomes do futebol turco.

Para manter a tranquilidade em campo, a defesa era muito forte. Rustu Reçber é um nome de respeito debaixo das traves e Alpay Özalan comandava a defesa ao lado de Korkmaz.

Brasil 2003

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A fase era de animação com o pentacampeonato, em 2002, e o adiamento da Copa América, para 2004, possibilitou o Brasil priorizar a Copa das Confederações 2003.

O técnico Carlos Alberto Parreira decidiu levar um bom conjunto para a competição, entretanto o ataque poderia sofrer com as ausências de Ronaldo, Rivaldo e Roberto Carlos.

Com a base da seleção campeã, Dida fechava o gol, apoiado por Lúcio, Juan e Émerson, pelo meio, dando segurança e mais liberdade para o jovem meio ofensivo brasileiro, com Ronaldinho, Ricardinho e Adriano.

Estados Unidos 2003

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O segundo título da Copa Ouro e a presença entre os 8 melhores do mundial, ambos em 2002, eram o ápice do futebol estadunidense, que agora via a sua liga nacional obter sucesso a cada ano.

O técnico, Bruce Arena, manteve o padrão de jogo que prioriza a defesa e abusa dos contra-ataques, reconhecendo o limite técnico de seus jovens jogadores. Com obediência tática, ele pode testar novos valores do país.

Estrela maior da seleção, Landon Donovan é responsável por oferecer poderio e velocidade ao ataque, ao lado do incansável DaMarcus Beasley.

Tabela de Resultados da Copa das Confederações 2003

copa das confederações 2003 resultados

A Final

camarões 0 x 1 frança – 29 de junho de 2003

copa das confederações 2003 final

O Stade de France mais uma vez era palco da grande final, agora, a da Copa das Confederações 2003, que atraiu um público de 52.000 espectadores.

O duelo seria entre a França, país-sede da competição e uma das melhores seleções do mundo, e Camarões, que via no torneio a concretização do crescimento de seu futebol, mesmo com a tragédia ocorrida com Marc-Vivien Foé. Como homenagem, todos os jogadores entraram abraçados carregando uma imagem do querido jogador, enquanto a emoção tomava conta de todo estádio.

Em jogo, a disputa foi muito acirrada, entretanto, os franceses ofereciam mais perigo, tornando cada rápida descida de Henry em um pesadelo para a defesa africana. Na etapa final, Camarões conseguiu ampliar o número de ataques. Um cenário mais equilibrado foi visto na segunda etapa, mas o número de inacreditáveis gols perdidos só aumentava.

O jogo foi para a morte súbita, valendo o gol de ouro, que não demorou para acontecer. Com a França pressionando no início, o estrelado Thuram fez um lançamento que, após um desvio africano, encontrou Henry sozinho na área, que tirou do bom goleiro Kameni e deu o bi campeonato intercontinental para a França.

Ao final da partida, todos os jogadores se abraçaram e mais uma linda homenagem foi realizada, quando os capitães de ambas seleções receberam o troféu e realizaram um dos momentos mais emocionantes da história da Copa das Confederações.

Classificação Geral da Copa das Confederações 2003

copa das confederações 2003 classificação geral

Seleção Campeã

copa-das-confederações-2003-campeã-frança

01. GK Mickaël Landreau (Nantes/ França)
02. DF Philippe Mexès (Auxerre/ França)
03. DF Bixente Lizarazu (Bayern Munich/ Alemanha)
04. DF Jean-Alain Boumsong (Auxerre/ França)
05. DF William Gallas (Chelsea/ Inglaterra)
06. MF Olivier Dacourt (Leeds United/ Inglaterra)
07. MF Robert Pirès (Arsenal/ Inglaterra)
08. MF Marcel Desailly (Chelsea/ Inglaterra) – capitão
09. FW Djibril Cissé (Auxerre/ França)
10. MF Ludovic Giuly (Monaco/ França)
11. FW Sylvain Wiltord (Arsenal/ Inglaterra)
12. FW Thierry Henry (Arsenal/ Inglaterra)
13. DF Mikaël Silvestre (Manchester United/ Inglaterra)
14. MF Jérôme Rothen (Monaco/ França)
15. DF Lilian Thuram (Juventus/ Itália)
16. GK Fabien Barthez (Manchester United/ Inglaterra)
17. MF Olivier Kapo (Auxerre/ França)
18. MF Benoît Pedretti (Sochaux/ França)
19. DF Willy Sagnol (Bayern Munich/ Alemanha)
20. FW Steve Marlet (Fulham/ Inglaterra)
21. MF Ousmane Dabo (Atalanta/ Itália)
22. FW Sidney Govou (Lyon/ França)
23. GK Grégory Coupet (Lyon/ França)

Técnico: Jacques Santini

 

Marc-Vivien Foé

marc vivien foé copa das confederações 2003

Nascido em 1º de maio de 1975, em Yaoundé, Marc-Vivien Foé foi um dos melhores meio-campo que já vestiram a camisa da seleção camaronesa.

Convocado para a Copa do Mundo 1994 com apenas 19 anos, ele realizou um belo torneio, gerando interesse de clubes europeus por seu futebol. Após o torneio, ele assinou com o Lens, da França, onde ficou até 1999 e conquistou a Division 1, em 98.

Foé também atuou pelo West Ham, da Inglaterra, onde foi campeão da UEFA Intertoto Cup, e pelo Lyon, onde conquistou mais uma Division 1 e a Coupe de la Ligue, em 2001.

Ausente da Copa do Mundo 1998, devido a uma séria lesão, ele conquistou o bicampeonato da Copa de Nações Africanas, 2000 e 2002, pela seleção camaronesa, consagrando-se como uma dos melhores jogadores dessa vencedora geração.

E prestes a levar sua seleção ao melhor desempenho internacional já conquistado, ele faleceu aos 72 minutos da semifinal da Copa das Confederações 2003, no duelo que venceram a Colômbia por 1×0. Um triste, e verdadeiro, choque para todo o mundo.

Vítima de um infarto fulminante, Marc-Vivien Foé nos deixou no ápice de sua vida, quando colocou Camarões no topo do mundo e levou alegria a muitas pessoas.

“Garotos, mesmo se for preciso morrer no gramado, nós temos que vencer esta semifinal” 

Frase pronunciada por Foé aos seus companheiros de Camarões no intervalo da partida.

FONTES
arquivodosmundiais.com.br
fifa.com
reddit.com
Arte Geral: Luis Eduardo C. Bortotti


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