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GUIDORAH, O MONSTRO TRICÉFALO (1964): uma análise

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No início da década de 60, os filmes kaiju viviam seus primeiros anos dourados. O leque de monstros de Ishirō Honda foi ampliado graças às produções de outros estúdios e o sub gênero de horror se consolidava. Inclusive com tramas excêntricas que ultrapassavam as fronteiras da galáxia. Durante esse boom criativo, Guidorah, O Monstro Tricéfalo foi lançado.

A era de ouro dos kaiju

Durante essa época, o cinema estadunidense já havia perdido o interesse nos filmes de monstros gigantes, sendo que na mesma década, poucos filmes B abordaram o tema. Em compensação, no Japão a situação era outra.

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O ano de 1964, que data o lançamento da película aqui analisada, ficou marcado como o primeiro em que três filmes do gênero foram comercializados. Para maior importância da data, todos foram dirigidos por Honda, sendo os outros dois Dogora e Mothra vs. Godzilla.

E isso era apenas o começo! O ritmo de soltar quatro filmes kaiju por ano durou até o final da década. Depois, somente o lagartão figurou nas telonas, com seu último filme da era Shōwa saindo em 1975.

Análise de Guidorah, O Monstro Tricéfalo (1964)

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Muito dessa duradoura fórmula do sucesso pode ser vista em Guidorah, O Monstro Tricéfalo, filme que pode ser considerado um dos melhores da primeira fase de Godzilla.

Com uma trama bem doida, mas com nada diferente do que já havia sido mostrado no sub gênero, o filme se destaca por seu ótimo ritmo. E, que por incrível que pareça, mesclando três gêneros diferentes.

A história é um verdadeiro monstro, com uma cabeça no sci fi, uma nas tramas jornalísticas e outra no gênero crime. E funciona! Mesmo que em algumas vezes (para ser sincero, em quase todas), ela precise apresentar situações mirabolantes e desfechos impossíveis.

Segurando a bronca do roteiro, a área da atuação está ótima. Com alguns atores repetindo a boa performance do filme anterior, Mothra vs. Godzilla. Yuriko Hoshi mais uma vez alegra a investigação dos fatos com sua carismática jornalista Yoka. Já, Hiroshi Koizumi repete sua voz de sabedoria interpretando, com certa loucura de cientista maluco, o Professor Murai.

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O filme que mudou o perfil de Godzilla

Com tons que respeitam o que suas cenas exigem, Ghidorah, O Monstro Tricéfalo ainda ganha com uma educada trilha sonora. Ela nos diverte nas cenas de riso e nos aterroriza quando o perigo de morte se faz real.

O que me surpreende bastante, já que há cenas que podem ser consideradas violentas, e bem tensas, para o público infantil que o filme parece assumir. Esse aceitação é vista na cena em que duas crianças participam de um programa de TV.

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Nela, um pedido a ser realizado no palco é oferecido e elas pedem para ver a Mothra. E o sonho é realizado, graças as fadas da ilha Infant que realizam uma hipnose transmitida ao vivo pela TV para ver como a jovem Mothra protege seu povo. Pena que a versão da música cantadas por elas durante a sessão não é a mesma do filme anterior. A outra, e talvez “oficial”, é bem mais marcante e tribal.

Esse ponto ganha força com a suavizada nas cenas de luta, já presente nos filmes anteriores, mas que agora ganham movimentos dignos de desenhos animados. Para finalizar, esse é o primeiro longa da era Shōwa em que Godzilla passa a ser o anti-herói dos filmes.

Um quesito curioso desse importante momento da franquia, é que Godzilla recusa o primeiro apelo de socorro dos humanos. Ele alega que eles nunca fizeram nada de bom para ele. Um claro, e engraçado, desabafo da natureza contra a humanidade.

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Relembrando (pouco) o primeiro filme de Godzilla

E no roteiro, cabe a ela a responsabilidade de ter transformando o planeta em um verdadeiro caos. Que sofre com absurdas alterações climáticas, responsáveis pela ressurreição de Rodan, monstro de filme próprio de 1956, e do próprio Godzilla. Caso a trama não envolvesse um perigo maior que obriga os três monstros unirem forças, talvez o destino das personagens humanas fosse outro.

E acho bem legal, mesmo que seja extremamente sutil, essa relação com a mensagem sócio-ecológica originalmente transmitida por Gojira, de 1954.

O fim das cenas dramáticas de destruição

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Outro tópico que o filme tenta manter de seu original é o horror da destruição, através do medo e da perda de quem sofre as consequências. Aqui, ele limita-se aos moradores de uma pequena vila próxima ao monte Fuji, palco do embate final. As cenas são bem tensas e tristes, principalmente durante os desmoronamentos de pedras que são emudecidos pelos gritos dos residentes.

E pela cena em que são honrados alguns ideais do povo japonês. Enquanto que nos filmes norte-americanos o exército é quem derrota o monstro, em alguns kaiju essa resolução é diferente. Aqui, em específico, um breve discurso do ministro da Defesa do Japão aponta que os monstros não são problemas apenas de seu país. E que a solução não está em mais destruição, ainda mais ser realizada por um povo que sabe o seu real tamanho e dor. Assim, eles responde de forma retórica a questão sobre o que governo irá fazer para impedir os monstros. “Teremos coragem em usar armas atômicas contra Godzilla e Rodan?”.

A partir deste filme, o tom crítico cairá e o deleite por roteiros com destruição e monstros mais avassaladores será maior na franquia.

King Guidorah

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Uma satisfação finalmente é saciada em Guidaorh, o Monstro Tricéfalo. Desde King Kong, o lagartão não encontrava um adversário de imponência similar. Por mais que Mothra seja curiosa, e tenha o derrotado, e Rodan tenha uma pequena fama (mesmo sendo todo esquisito), King Guidorah se sobressai.

Tanto em produção, com uma carcaça dourada sinistra e um urro arrepiador, quanto em execução. Na qual, os movimentos são críveis e nada divertidos, contrariando seus oponentes. Além do monstro disparar raios em todas as direções, devastando qualquer tipo de superfície. Para melhorar, ele é um dragão espacial de três cabeças! Ou seja, sua anatomia é totalmente desconhecida pela ciência terrestre, aumentando em muito o perigo de morte das personagens.

Com certeza, o maior rival de Godzilla e que estreia em muito bem estilo. Guidorah, O Monstro Tricéfalo é um filme divertidíssimo e que se faz presente na lista dos melhores filmes do rei dos monstros.


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